Poucas palavras na vida me dirão mais do que esta palavra inebriante LIBERDADE. Mas o que é a liberdade, termina a nossa onde começa a liberdade dos outros? A palavra liberdade é usada com objectivos distintos e poderia afirmar, sem medo de errar que há imensas interpretações sobre o que significa essa palavra mágica LIBERDADE.
Não restam dúvidas que sob a sua bandeira se praticaram ( e praticam ) crimes, atrocidades sem nome, mas esquecendo a noção de liberdade ideológica de acordo com a cartilha de cada ideólogo, as liberdades da extinta União Soviética nada têm que ver com a liberdade proclamada no Ocidente.
A liberdade, eco profundo da revolução francesa, outorgou ao indvíduo, enquanto portador de direitos, a liberdade individual, com destaque para a liberdade de expressão – que não se pode confunfir com liberdade de manipular, de enganar, liberdade de ou para os lóbis, liberdade de certas corporações profissionais.
Liberdade é o direito de pensar e falar sem constrangimentos e sem tiques totalitários, pelo que numa semana em que da bancada do PS, 3 deputados ousaram apresentar uma proposta de lei para publicação dos rendimentos dos contribuintes na internet, numa das mais abjectas tentativas de ferir a liberdade individual e um absurdo convite à delação, à vingança mesquinha, convém sublinhar o valor da liberdade, de como no PS ainda existem membros, com responsabilidades, que parece que tardam em aprender esse valor e que em nada dignificam o Partido a que pertencem, desde sempre um bastião da liberdade e um último reduto da social – democracia, ou para os mais sensíveis, do socialismo democrático.
Mas nesta semana outro caso coloca em causa a liberdade individual – a divulgada conversa, por um informador ( a antiga Pide não faria melhor ), do Primeiro – Ministro, à mesa de um restaurante. O visado, o jornalista Mário Crespo, ruboresceu de indignação,mas não é caso para tanto. Por ser figura pública, o Primeiro - Ministro não pode ter vida privada e dar a sua opinião, mesmo sobre tão ofendido jornalista?
Pois, por aqui se vê que cada um pretende a sua liberdade, mas o que salta à vista de tudo isto é que os jornalistas arrogam-se a ter direito a uma liberdade maior, desde dizer mal ad hominem num jornal televisivo às habituais crónicas semanais num grande jornal de referência.
Quem é que sentindo-se vexado, humilhado, não tem o direito, a liberdade de reagir, mesmo numa conversa entre amigos à mesa de um restaurante?
A liberdade de uns termina onde começa a dos outros, por isso essas almas “indignadas”, se começassem por respeitar os limites dessa liberdade, não se sentiriam tão perseguidos pelos fantasmas que os próprios criaram.
E não tratem tão mal essa tão nobre palavra LIBERDADE!